No ano lectivo de 2000/2001 a nossa filha foi colocada numa escola com cobertura em fibrocimento em péssimo estado de conservação. A situação é ainda mais grave no ginásio aonde não existe isolamento entre a cobertura de fibrocimento e o interior do edifício.
A um pedido de esclarecimento sobre a possível contaminação com amianto e as medidas previstas junto à DREL (Direcção Regional de Educação de Lisboa) obteve-se uma resposta pouco satisfatória: «...venho informar V. Exª de que a legislação, Decreto-Lei 228/94 de 13 de Setembro, não impede a comercialização e utilização de chapas de fibrocimento em coberturas (com amianto crisótilo), cabendo à Direcção Geral da Indústria a fiscalização sobre o assunto»
Deduzindo-se da resposta, que o fibrocimento só contem a variante de amianto ainda autorizada em Portugal, o crisótilo, o que não está correcto. A escola foi construída no início dos anos 70, e até aos finais dos anos 80 o fibrocimento era feito com uma mistura de fibras de amianto, entre as quais a crocidolite ou amianto azul, que desde muito cedo foi considerado o amianto mais perigoso. Foi o primeiro a ser proibido com algumas excepções. (Decreto-Lei 28/87)
A referida escola e a maior parte das escolas neste país encontram-se pois, desde 1994 em situação ilegal uma vez que o artigo 6 do Decreto-Lei 28/87 que ainda permitia a utilização de produtos contendo crocidolite desde que «produzidos ou comercializados antes de 1 de Janeiro de 1987;», foi revogado em 1994 através do Decreto-Lei 228/94.
É no mínimo estranho assim sendo que nesta resposta da DREL seja indicada a entidade fiscalizadora, uma vez que a lei (Decreto-Lei 228/94) fixa coimas e sanções nos casos de infracção e não nos tenham informado quais as medidas efectivas que estariam a ser tomadas para a implementar e assim proteger a saúde das nossas crianças nas escolas.
Volvidos perto de sete anos após a promulgação do Decreto-Lei não se vislumbra qualquer resolução prática deste problema.
O que nos leva a perguntar qual a utilidade da lei e da referida entidade fiscalizadora.
Propomo-nos aqui disponibilizar informação por nós recolhida referente ao amianto, em especial ao fibrocimento. Inicialmente pensámos em publicar apenas uma lista de links. A maior parte porém encontra-se em idiomas estrangeiros e a problemática é mais ou menos complexa. Para denunciar a situação actual em Portugal, incluímos resumos sobre os aspectos que nos assim parecem mais importantes.
Estamos interessados e agradecemos comentários, sugestões, correcções e referências a esta problemática em Portugal como informações adicionais sobre novos sites, etc.
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Com a proibição da utilização dos materiais contendo crocidolite e outras variedades de amianto do grupo das anfíbolas, levando em conta a grande nocividade daquelas substâncias, os responsáveis pretenderam excluir a exposição ao amianto da população em geral.
Como é possível obrigar todas as pessoas a identificar os materiais que contêm estas substâncias e a seguir proibir a sua utilização?
O que está a ser feito na prática em Portugal em comparação com alguns países da União Europeia?
Quando o mundo finalmente teve a certeza absoluta que o amianto era uma substância perigosa, começou-se por diminuir a exposição dos trabalhadores, reduzindo a quantidade de poeira de amianto existente no ar nas instalações fabris.
O valor que serve de valor limite de exposição (VLE) é um valor calculado ou medido. Trata-se de um valor médio referente a 8 horas de trabalho, o que quer dizer o trabalhador não pode estar submetido a uma concentração média no ar superior ao valor estabelecido.
Em 1983 a Directiva 83/477/CEE fixa este valor em 1,00 fibra por centímetro cúbico (= um milhão de fibras por metro cúbico) para as fibras de amianto, a excepção da crocidolite, para a qual o valor era 0,50 f/cm3, portanto a metade. Em 1989 este valor foi adaptado por Portugal através do Decreto-Lei n.º 284/89.
Já em 1991 a Directiva n.°91/382/CEE reduz este valor para 0,60 fibra/cm3 de crisótilo e 0,30 fibra/cm3 para quaisquer outras fibras de amianto separadas ou misturadas, incluindo misturas que contenham crisótilo. Este foi adaptado em 1993 pelo Decreto-Lei n.º389/93.
Em 1994 todas as variedades do grupo das anfíbolas foram proibidas em Portugal e o VLE refere-se nestes casos ao manuseamento dos materiais existentes.
A partir de Janeiro 2005 a Comunidade Europeia proíbe a utilização de qualquer amianto, mesmo de crisótilo, ainda utilizado em Portugal no fabrico de fibrocimento e outros produtos.
Devido à nocividade do amianto a maior parte dos países europeus adaptaram valores mais baixos ou descerem os valores no decorrer do tempo. Revol 1997/981 indica os seguintes limites (em f/cm3) que alguns países europeus adaptaram, sem mencionar a data exacta da validade destes valores.
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CHRYSOTILE |
AUTRES FIBRES |
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ALLEMAGNE |
0,15 |
0,15 |
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BELGIQUE |
0,5 |
0,15 |
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DANEMARK |
0,3 |
0,3 |
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ESPAGNE |
0,6 |
0,3 |
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FRANCE |
0,1 |
0,1 |
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ITALIE |
0,6 |
0,2 |
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ROYAUME-UNI |
0,5 |
0,2 |
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SUISSE |
0,25 |
0,25 |
Portugal como a Espanha mantem os valores indicados pela Directiva Europeia em 1991!
Hoje em dia a noção do VLE, que não leva em conta períodos de alta exposição à poeira de amianto, foi rejeitado por muitos países. Na Alemanha p.ex. qualquer forma de amianto está proibida, existindo uma proibição da exposição ao amianto no trabalho. Os regulamentos ainda hoje aí em vigor datam de 1995 (ver BAuA 19951). A proibição é anulada em trabalhos de demolição, saneamento e manutenção como é evidente, mas a exposição tem que ser reduzida ao máximo segundo as técnicas mais avançadas. Actualmente 0,025f/cm3.
A Instituição inglesa para a Segurança e Higiene no Trabalho (HSE) titula as informações on-line para o trabalhador da seguinte maneira: Poeira de amianto mata; não tire a sua mascara (HSE 19991) ou Poeira de amianto: o assassino escondido (HSE 1996) e alerta: mais fibras que se inspira maior é o risco de contrair uma doença relacionada com o amianto. A Inglaterra adaptou em 1999 a nova Directiva da CE proibindo o crisótilo.
Não é possível proibir a exposição ao amianto à população em geral. O amianto foi espalhado no nosso meio ambiente por todo o lado.
Dois exemplos como se pode lidar na prática com este problema.
Actualmente utilizam-se na Alemanha os seguintes valores como valores máximos:
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<0,0001 f/cm3 |
zona de ar pura |
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<0,0003F/cm3 |
limite de identificação |
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<0,0005 F/cm3 |
valor máximo admissìvel a seguir ao saneamento |
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<0,001F/cm3 |
valor de referência para o ar no exterior estabelecido pelo Ministério da Saúde |
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<0,015 F/cm3 |
Valor máximo em que o saneamento pode ser feito com algumas reduções de medidas de segurança |
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0,025 F/cm3 |
Valor mínimo de concentração que pode ser atingido com as técnicas actuais |
Isto quer dizer que o trabalhador alemão nunca está submetido a uma concentração superior a 0,025f/cm3 enquanto o trabalhador português pode estar exposto a concentrações muito mais elevadas: entre 12, 24 e milhares de vezes quando se trata de trabalhadores que lidam com produtos contendo amianto fora das instalações fabris. O VLE serve de argumento no texto on-line da AIPA (Associação das Indústrias Produtoras de Amianto) para a avaliação do perigo do amianto para a população em geral : no caso do pavimento em fibrocimento da Faculdade de Economia do Porto (AIPA 199?1). Na prática isto quer dizer que só quando existem concentrações 500 a 1000 vezes superiores às aceitáveis p. ex. na Alemanha parece haver motivos de preocupação.
A França, que em 1996 proibiu o crisótilo e em
consequência suspendeu a importação daquela
substância, teve de enfrentar um processo perante a Organização
Mundial de Comércio (OMC) desencadeado pelo Canadá.
Este país procedeu a um inventário dos locais contendo
amianto em edifícios públicos estabelecendo as
seguintes regras:
Quando as medições mostrarem uma
concentração de fibras inferior ou igual a 0,005f/cm3
terão de ser repetidas de 3 em 3 anos. Caso as medições
revelarem valores entre 0,005 e 0,025 f/cm3
terão de ser repetidas de 2 em 2 anos. Ultrapassando os 0,025
f/cm3, o proprietário tem de
iniciar num espaço de uma ano os trabalhos apropriados. A
seguir ao saneamento o nível de poeira de amianto no ar não
pode ultrapassar os 0,005f/cm3, o que
é um valor 10 vezes superior ao praticado na Alemanha. A
comparação dos dados é problemática
devido a métodos diferentes de medição e
análise.
Todas as nossas tentativas de obter resultados de "medições" realizadas em Portugal, p.ex. nos ginásios das escolas, foram infrutíferas. Parece que se trata de um assunto sobre o qual o cidadão não deve estar informado. O único laboratório que está autorizado a efectuar estas medições é o Laboratório de Controle de Fibras da SAGIES em Lisboa.
Não foi tornado público o levantamento dos edifícios contendo amianto nem o grau da contaminação, é claro também não foi apresentado nenhum plano de saneamento dos edifícios eventualmente contaminados.
Segundo o Guião de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho português on-line (GSHST s.d.), o problema está controlado e não merece quaisquer preocupações, apresentando para informações adicionais o link do Asbestos Institute de Canadá (entidade directamente conotada com a indústria do amianto no Canadá). Não se perdeu tempo neste Guião com qualquer aviso aos profissionais em maior risco: todos os trabalhadores na construção civil p. ex. construtores de telhados, electricistas, trabalhadores que montam alarmes, instaladores de aquecimentos, de placas de isolamentos etc. e canalizadores, etc., para evitar que ponham a própria saúde e a saúde de terceiros em risco.
Não conseguimos ter acesso à nenhuma lista de produtos que contêm amianto espalhados nas nossas casas, em aparelhos etc..
«Toute forme d'amiante, dès qu'elle est dégradée, est potentiellement nocive pour ceux qui vivent ou travaillent occasionnellement dans le bâtiment.» Revol 1997/982
Todas as formas de amianto, desde que estejam degradadas, são potencialmente nocivas para aqueles que vivem e trabalham ocasionalmente no edifício.
O autor chama atenção para os materiais em mau estado de conservação que contêm amianto, e dá o exemplo do fibrocimento. Eles são nocivos para a população em geral o que justifica um inventário e controlo dos locais aonde foram utilizados. No caso de amianto "frouxamente" ligado, uma vez que por influência atmosférica pode facilmente libertar as fibras nocivas, o perigo começa mais cedo. Uma das mais perigosas aplicações é a flocagem: o amianto quase puro é projectado nas paredes ou tectos como isolante térmico e protecção contra o fogo. Este facto já foi aceite em Portugal quando se procedeu ao saneamento dos casos conhecidos (Base de Beja, Teatro D. Maria).(AIPA 199?2) Isto não quer dizer, que todos os outros produtos, existem mais de 3000, não sejam também perigosos.
Existe uma enorme documentação sobre o amianto nomeadamente sobre o efeito nocivo do amianto.
As primeiras provas científicas relacionadas com a
asbestose, a doença típica dos trabalhadores do
amianto, datam de 1930: esta doença é devida a uma alta
exposição as poeiras de amianto;
as evidências
relacionadas com o agente causador de cancro estão relatadas
desde 1960. Neste caso, a exposição necessária
para desencadear a doença, pode ser mínima.
A maior parte dos estudos efectuados no âmbito da protecção dos trabalhadores levaram nos anos 70-90 a uma regulamentação mais ou menos restringente do uso de amianto e a um controlo da exposição no âmbito ocupacional. O crisótilo era a variante de amianto considerada por alguns menos perigosa, nomeadamente pelo Canadá, o maior exportador mundial de crisótilo, e é a única forma autorizada em Portugal a partir de 1994, com algumas excepções por exemplo em brinquedos.
A última directiva da CE (Directiva 1999/77/CE da Comissão de 26 de Julho de 1999) prevê a proibição do crisótilo a partir de 1 de Janeiro de 2005.
«(7)...ainda não foi identificado o nível mínimo de exposição abaixo do qual o crisótilo de amianto não produz riscos cancerígenos.»
Esta Directiva sobre o amianto é considerada por muitos analistas uma viragem na política europeia: a protecção da saúde pública impõe-se sobre os outros interesses nomeadamente interesses de certos grupos económicos, mesmo se a investigação científica ainda não conseguiu esclarecer todos os pormenores.
«(9) ... uma forma eficiente de proteger a saúde humana é proibir a utilização de fibras de crisótilo de amianto e de produtos que as contenham.»
O
que é o amianto?
Qual é o
perigo do amiantoo?
Porque não há
controle possível?
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Por amianto designam-se as variedades fibrosas de 6 minerais do grupo dos silicatos. É o "linho da montanha" com o qual já na antiguidade se faziam tecidos. Devido às suas qualidades excepcionais foi-lhe dado o nome "rainha das fibras"; não arde, é resistente ao calor, é dificilmente atacado por químicos, é imputriscível, um bom isolador térmico, eléctrico e acústico, não é destruído por microrganismos, é mais resistente à tracção do que aço com a mesma secção, e consegue-se tecer. As principais fibras de amianto com interesse comercial são a amosite (de cor cinzento escuro) e a crocidolite (amianto azul) do grupo das anfíbolas, cujas fibras têm a forma de uma agulha, e o crisótilo (amianto branco) que pertence as serpentinas, cujas fibras em serpentinas são mais finas. As fibras mais compridas são teadas junto com fibras de suporte (p.ex. algodão) em fio. Das fibras mais curtas fazem-se papel, cartão, fibrocimento etc.
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Crocidolite (1000x) |
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Crisótilo (1000x) |
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O amianto desfaz-se sobre a influência atmosférica em fibras microscópicas, que devido à sua forma - finas e compridas-, podem manter-se durante muito tempo no ar e depositar-se nas zonas aonde foram libertadas.
Especialmente as fibras com um comprimento superior a 5 µm, um diâmetro inferior a 3 µm e a relação comprimento-diâmetro superior a 3:1 são as responsáveis pelas várias doenças provocadas pelo amianto, as chamadas fibras respiráveis. Mesmo um milhão destas fibras num metro cúbico de ar não se vêm. É na inalação despercebida daquelas fibras que reside o perigo.
Uma vez inaladas, podem penetrar nos tecidos pulmonares, podem avançar até aos alvéolos, ( onde são feitas as trocas gasosas com o sangue),penetrar na pleura, no peritoneu e no pericárdio, manter-se-ão ai durante anos, sem que a defesa do corpo humano as possa destruir todas, e podem provocar 10 a 60 anos depois da exposição várias doenças.
O amianto foi utilizado durante muitos anos em grande escala. Existem mais de 3000 produtos contendo amianto:
electrodomésticos antigos como torradeiras, fogões, caloríferos, secadores de cabelos etc.
cabos, fitas de isolamento eléctrico
calços de travões e discos de embreagem
argamassa, tinta, cola
têxteis, papeis
filtros de ar, de gás, de líquidos
isolamentos térmicos
isolamentos acústicos
fibrocimento, etc.
Ninguém sabe dizer qual a exposição ao amianto que não provoqua riscos de doenças a ele associadas.
Está a aumentar o número de pessoas com doenças associadas ao amianto, que não pertencem ao grupo dos trabalhadores nas fábricas de amianto, as esposas ou crianças dos trabalhadores ou as pessoas em redor dessas zonas fabris etc. Agora há canalizadores, electricistas, mecânicos de automóveis etc. que mostram sintomas de doenças relacionadas com amianto e um número de pessoas afectadas cuja exposição ao amianto não consegue ser esclarecida. Não se pode esquecer que a doença se mostra às vezes décadas após a exposição a qual pode ser mínima. O próprio doente muitas vezes não sabe identificar a altura em que teve em contacto com amianto durante a sua vida. E há doenças provocadas pelo amianto que não se distinguem de doenças de outras origens. Assim muitas vezes a origem não é conhecida.
A avaliação do perigo só pode ser feita através da medição regular das fibras de amianto existentes nos ambientes o que não é economicamente viável.
É preciso uma manutenção minuciosa dos produtos, exigência muito difícil de implementar e controlar.
A identificação dos produtos contendo amianto é para o comum mortal quase impossível. Por isso se suspeitar de um produto contendo amianto deve trata-lo com tanta precaução como se tivesse a certeza.
Se o saneamento dos edifícios que contêm amianto não for efectuado segundo as regras mais severas, as fibras então libertadas contaminarão o ambiente em redor: a contaminação será maior do que antes do saneamento.
É praticamente impossível controlar a exposição da população em geral ao amianto.
O que é
o fibrocimento?
Qual é o perigo do
fibrocimento?
Aonde foi e ainda é
utilizado?
O fibrocimento contêm 10 a 15 % de amianto, o resto é cimento Portland. Utilizava-se em Portugal como em todo o mundo com vários tipos de amianto, em geral misturados, entre outros a crocidolite. (ver amianto). Em 1987 através do Decreto-Lei n.º 28/87 o uso da crocidolite começou a ser restringido . Em 1994 foram proibidas todas as variedades de amianto do grupo das anfíbolas (Decreto-Lei n.º 228/94).
A afirmação que se
encontra no site da AIPA (Aipa
199?5)
«...anfíbolas
(amosite e crocidolite, variedades de amianto que se não usam
no fabrico do fibrocimento)»
só é válida
a partir dos finais dos anos 80 quando o crisótilo passou a
ser o único amianto utilizado no fabrico do fibrocimento em
Portugal. Alguns países continuam a defender um uso controlado
do crisótilo. Países como o EUA e a Alemanha proibiram
desde cedo todas as variantes de amianto, a França a partir de
1997 e a Inglaterra em 1999.
O fibrocimento faz parte dos produtos de amianto fortemente ligados (peso específico > 1kg/dm3). Ao contrário dos produtos "frouxamente" ligados (peso específico < 1kg/dm3) não liberta fácilmente as fibras de amianto.
Em bom estado de conservação não requer nenhuma atenção especial.
Há 3 situações em que o fibrocimento se torna potencialmente perigoso:
Quando se encontra em mal estado de conservação:
O fibrocimento tem uma vida de 30 ou mais anos. Ultrapassado este limite, ele começa a perder as suas qualidades. Sempre que o amianto já não está fortemente ligado ao cimento, as fibras podem desagregar-se por influência atmosférica - diferenças de temperatura, correntes de ar, etc. - ou mecânicas, em fibras microscópicas que então podem contaminar as redondezas.
Em edifícios contendo amianto já foram medidas 15000 f/m3 =0,015f/cm3.
Quando danificado de qualquer maneira:
Isso pode acontecer aquando da limpeza do material com escovas ou da necessidade de prender alguma coisa através de uma perfuração, prender o material em si, limar, lixar, cortar, serrar ou partir. O risco é naturalmente maior quando são utilizados rebarbadoras, a limpeza à pressão ou outras ferramentas que pelo seu funcionamento produzam mais pó. Já foram medidas 50 milhões de fibras num metro cúbico de ar (=50f/cm3) quando foram efectuados trabalhos no interior em fibrocimento com uma rebarbadora. Em alturas de trabalho e de limpeza do fibrocimento mostraram-se valores entre 0,6 e 1,5 milhões de f/m3=0,6-1,5f/cm3.
Quando é removido:
Se a remoção dos materiais danificados não for efectuada tomando as devidas precauções a libertação das fibras será em muito maior quantidade podendo contaminar outros locais. Várias semanas a seguir ao saneamento ainda foram medidas 900 000 f/m3=0,9 f/cm3
Não é o pó visível que provem do cimento: são as fibras invisíveis de amianto libertadas que se tornam num perigo. Uma vez no ar constituem um grave problema para a saúde.
Quando as fibras microscópicas de amianto se encontram no interior de um edifício podem manter-se aí durante muito tempo e constituir uma ameaça à saúde dos ocupantes.
«Aglomerado de amianto e
cimento, muito empregado modernamente na construção
civil, em canalizações etc....»(GEPB
1937?)
. «O amianto encontrou a sua grande oportunidade
no fabrico de fibrocimento. É um material cuja utilização
goza, presentemente, de uma expansão considerável, ...»
(ELBC 1971/72)
Com o encerramento da Lusalite parece acabar o século do fibrocimento com amianto em Portugal. Durante o século passado o fibrocimento invadiu de tal maneira o nosso ambiente que hoje em dia é difícil dizer aonde ele não se encontra. Toda a gente conhece as placas onduladas também chamadas placas "Lusalite", que cobrem tantos edifícios. Mas sabia que existe em móveis, portas, placas decorativas, etc.?
«...na actualidade produzem-se placas de fibrocimento com efeitos de relevo ou coloridos que se empregam cada vez mais em edifícios públicos, centros comerciais, edifícios de oficinas e, inclusivamente, em construções residenciais.» (AIPA 199?4)
A título de exemplo algumas aplicações:
os mais variados elementos para coberturas
chapas lisas
chaminés
autoclismos
vasos
placas para revestimentos
placas de decoração
almofadas das portas das casas
mesas, parte inferior dos tampos
armários
tubagens de todos o tipos
reservatórios para líquidos
gama de moldes
pavimentos
Esta lista não está completa.
Note-se que existe em Portugal uma
empresa que fabrica fibrocimento sem amianto a base de fibras
artificiais designado como NT (Nova Tecnologia). Estas novas fibras
estão a ser estudadas para não haver riscos para a
saúde humana segundo os conhecimentos actuais... que Deus nos
valha desta vez!
Doenças
Mesotelioma
Tumor
monocausal
Epidemiologia
A poeira de amianto induz vários efeitos nocivos no corpo humano tanto pela inalação como pela ingestão. O aparelho respiratório é o mais afectado. Além de asmas, bronquites, limitações respiratórias crónicas etc. a poeira de amianto provoqua várias alterações chamadas benignas por não serem cancerígenas.
placas pleurais: engrossamentos da pleura parietal, que podem calcificar após décadas;
pleuritis provocada por amianto: derrame pleural que pode conduzir a uma fibrose pleural difusa
a asbestose: fibrose pulmonar
(pneumocominose) provocada por amianto, que endurece o tecido
pulmonar elástico em reacção à irritação
das fibras e das inflamações daí resultantes. A
respiração, em consequência do engrossamento e
da calcificação dos tecidos conjuntivos cicatrizados,
é por fim afectada e o perigo de uma pneumonia adicional
aumenta. O sintoma guia da asbestose é uma respiração
curta e esforçada..
A asbestose é devida a uma alta
exposição ao amianto e pode ser controlada através
da redução à exposição nas
fábricas e minas.
O cancro de pulmão, da laringe e o mesotelioma são chamados doenças malignas por serem cancerígenas.
O cancro do pulmão e da laringe provocados pela poeira de amianto não se distinguem dos cancros de outra origem. Ainda não se conhece qual é a quantidade mínima de poeira de amianto que pode ser inalada sem provocar riscos de cancro. Dependente da exposição ao amianto o risco de contrair um cancro aumenta 10 a 200 vezes se se é fumador. O cancro de pulmão continua na maior parte dos casos a ser incurável.
O que alerta os médicos é o aumento do mesotelioma, um tumor maligno incurável, que não só se manifesta em grupos de pessoas que foram no âmbito ocupacional expostas à poeira de amianto, mas também em pessoas ocasionalmente expostas a estas fibras. (p.ex. Dyer 2000)
Há outros cancros relatados na literatura científica associadas ao amianto: cancro do aparelho digestivo, do cólon, do recto e do aparelho urogenético.
Tumor maligno que se localiza ao nível da pleura, do peritoneu e pericárdio sendo o mesotelioma pleural o mais frequente. Em geral as pessoas afectadas morrem num espaço de um ano a seguir à diagnose, devido a um diagnóstico difícil e a uma falta de terapia eficiente.
O crescimento incontrolável das células começa imperceptível e inicialmente não provoca incómodo. As principais sintomatologias do mesotelioma pleural:
Tosse
Falta de ar
Dor difusa no peito
O tumor pode manifestar-se 10 a 60 anos depois da exposição ao amianto. A duração da exposição é em média 15 anos, em casos extremos só poucas semanas.
Hoje em dia o mesotelioma pleural é considerado por especialistas o tumor que sinaliza uma exposição ao amianto. Admite-se, que em praticamente 100% dos casos, existia uma exposição ao amianto. Análises de fibras nos tecidos pulmonares mostraram que em todos os falecidos com esta doença se encontravam fibras de amianto e em quantidade menor outras fibras minerais. Em 70% dos casos a exposição ao amianto consegue ser provada através da anamnese, que ás vezes exige uma intuição de detective para provar que a exposição ocorreu no âmbito ocupacional em parte desconhecida pelos próprios operários, devido à falta do conhecimento das fontes de poeira de amianto. A doença já se manifestou em canalizadores, electricistas, construtores de telhados etc., em pessoas nas imediações dos locais que emitem amianto e nas donas de casa que lavavam a roupa contaminada com amianto. Em 30 % dos casos não se consegue determinar como e quando aquelas estiveram expostas á contaminação com amianto. Está cientificamente provado que os amiantos do grupo das anfíbolas são responsáveis por esta doença. Suspeita-se que o crisótilo também pode estar na sua origem. (Woitowitz et al. 2000)
Ainda hoje em dia se pode ler que se trata de um tumor raro. (AIPA s.d.3, GSHST s.d., Faculdade s.d.). No entanto estudos epidemiológicos prevêem 250 000 casos de óbito na população masculina na Europa Ocidental nos próximos 30 anos.(Peto et al. 1999; BBC News 1999,1) Pense-se que antes da utilização industrial do amianto havia por ano 1 caso por 1 milhão de habitantes, o que significa p. ex. para a França 50 casos por ano antes de 1950. Houve uma explosão de casos a partir dos anos cinquenta com uma aumento de 5 a 10%. Nos inícios dos anos 90 estimava-se uma incidência do mesotelioma em ambos os sexos com 600 casos e em 1996 pensava-se que aumentava para 750 casos. (Revol 1997/982). O autor desta publicação alerta que se trata provavelmente de valores subestimados devido aos inúmeros casos não identificados.
Outra fonte cita um estudo de 1996 segundo o qual morrem anualmente em França 2000 pessoas com mesotelioma pleural e peritonal, e se prevê um aumento para 5000 à 10000 casos 20 - 30 anos mais tarde.(Hehn 1996).
Na Alemanha contam-se anualmente com
ca. de 1000 pessoas afectadas pelo mesotelioma pleural maligno e
prevê-se um aumento para quase o dobro como no resto da Europa
até ao ano 2017. (Woitowitz
et al. 2000). A partir desta data espera-se um decréscimo
devido às medidas tomadas a partir dos anos 70.
Mais informações em português sobre as doenças encontram-se no site da DCEA 1997/98 da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL.
É preciso evitar a exposição às poeiras de amianto mesmo em quantidades pequenas!
Nisto as recomendações das diversas entidades dos vários países concordam.
Há países que não distinguem entre o amianto crisótilo e as outras variedades do grupo das anfíbolas, p.ex. EUA, Alemanha,... e outros como Portugal, Espanha, Grécia... que ainda autorizam o crisótilo.
«A exposição nos locais de trabalho às poeiras de amianto ou dos materiais que o contenham deve ser reduzida ao nível mais baixo possível... » (Decreto-Lei n.º 284/89).
Segue-se um apanhado das recomendações:
Os
conselhos aqui relatados são unicamente a título
informativo e pelos quais não nos podemos responsabilizar
Se se tratar de electrodomésticos ou outros objectos de menor custo e dimensão suspeitos de conter amianto, esses devem ser substituídos.
Se se suspeitar que existe material contendo amianto em objectos de maior custo ou em edifícios é preciso avaliar o risco existente através de medições. Muitas vezes o encapsulamento, a pintura ou o isolamento para o interior podem ser a solução mais adequada para evitar que através do saneamento o risco se torne maior.
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No fibrocimento em bom estado de conservação não se deve mexer.
Não se deve trepar para telhados em fibrocimento nem andar por cima deles. Na necessidade de se movimentar em cima de um telhado é preciso utilizar dispositivos para distribuir o peso.
O fibrocimento que não está pintado só deve ser lavado com uma esponja!
Em caso algum deve ser procedida a limpeza com jacto de água ou de areia, nem com lixas ou escovas de aço etc.
Não se devem fazer furos no fibrocimento para fixação; p. ex. para prender cabos etc.
A manutenção deve ser minuciosa. Partes partidas devem ser imediatamente removidas.
As vezes pode ser mais indicado encapsular o material em vez de o remover.
Na necessidade de remoção do fibrocimento devem ser seguidos as seguintes recomendações:
Estes
conselhos servem só de informação. É
sempre mais aconselhável contratar uma empresa responsável
pela segurança dos seus trabalhadores e pela não
contaminação dos locais em redor. Não nos
podemos responsabilizar pelas informações dadas.
Existem protecções respiratórias adequadas para trabalhos em fibrocimento no interior.
Trabalhar em zonas bem arejadas.
Não deixar ninguém aproximar-se da zona do trabalho chamando atenção com avisos de perigo, que se trata de uma zona onde amianto está a ser libertado.
Molhar o fibrocimento com água utilizando um pulverizador, ou água com um agente dispersante, ou embeber o fibrocimento em água.
Sempre que for necessário serrar, cortar ou furar etc., tapar a zona com um pano molhado.
Não utilizar ferramentas de alta velocidade.
Sempre que seja previsível que o fibrocimento parta, estender um plástico por baixo da zona de trabalho para que a poeira e as peças partidas sejam apanhadas.
Manter o fibrocimento removido, todas as partes partidas e a poeira, molhado até estarem num recipiente bem fechado e impermeável (saco plástico forte),
Não roçar com o material removido em nenhum lado nem o atirar.
Sempre que for possível, desmontar os suportes que seguram o fibrocimento, para evitar danificar o material. Os suportes, sendo material contaminado, têm de ser logo colocados em sacos apropriados.
Isolar o local de trabalho do interior ou se o trabalho for efectuado no interior, isolar o local do resto do edifício para evitar uma contaminação.
Se houve contacto directo com o interior durante a remoção, o interior deve ser em seguido lavado com um pano molhado em água com um agente dispersante, para diminuir a tensão superficial da água( p.ex. alguns detergentes de loiça). Este trabalho tem de ser efectuado com um especial cuidado, incluindo o chão e as paredes. Material rugoso deve-ser aspirado com um aspirador especial. A seguir deve-se efectuar uma completa mudança de ar pelo menos 30 vezes!
A roupa utilizada deve ser lavada numa lavandaria especial ou então metida num saco apropriado e deitada fora.
Efectuar uma limpeza regular das ferramentas usadas.
Nunca utilizar um aspirador normal. A poeira de amianto não é retida mas espalhada para o ar.
Não comer, beber ou fumar no local contaminado.
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Links segundo os capítulos |
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Legislação |
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Links segundo actividades sociais |
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1ª edição (actual):maio 2001 |
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